quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Isolamento Térmico

É importante ter bom isolamento térmico na sua casa. Se o tivermos no inverno não teremos perdas de calor e no verão a casa ficará fresca.aqueça demasiado. O sistema de isolamento térmico deve ser planeado durante o período da construção da sua habitação. Para que não haja perdas de calor nos canos ao transportar a água, estes devem ser instalados nas paredes interiores que dividem a casa. Durante a construção da casa também é conveniente aplicar placas de poliestireno expandido (o chamado esferovite), aglomerado negro de cortiça ou lã de rocha nas paredes de modo a isolar a sua habitação tanto da estação fria como da estação quente. Por outro lado se a casa já está construída, há algumas coisas que se pode fazer para remediar a situação.

Telhado

O sótão deve ser a primeira área a proteger, pois se o ar quente sobe, o sótão deve estar bem protegido pois a probabilidade do calor sair por esta divisão é muito alta. Para fazer o isolamento térmico do sótão a melhor forma é começar por isolar o piso. Se o sótão for habitado, é preciso fazer o isolamento do telhado. Para iniciar esta tarefa deve aspirar totalmente toda a área para depois começar a trabalhar. Se a estrutura for constituída por madeira, convém verificar se está danificada com caruncho. Verifique o estado do telhado, para que não haja eventuais infiltrações de água danificando deste modo o material isolante. Se precisar deve proceder à substituição das telhas partidas e compôr alguma que esteja fora do lugar. Depois, no interior, cubra o telhado com lã de rocha, placas de cortiça ou de esferovite, sem deixar quaisquer frestas. Deve ter em conta de que quanto mais espesso for o material, mais eficaz será o isolamento térmico. Se preferir pode optar por colocar um tecto falso já isolado.

Portas e janelas

Uma forma de isolamento é calafetar as portas e janelas com fita de espuma sintética ou de borracha autocolante ou com massa de silicone. Coloque-as ao longo dos caixilhos. Outra opção é usar fita metálica, esta fita tem uma maior durabilidade do que a fita de espuma ou borracha. Para calcular a espessura necessária, ponha um pedaço de plasticina na zona a calafetar e feche a porta ou a janela, depois volte a abrir e retire a plasticina. Desta maneira consegue medir a espessura adequada. Deve limpar bem a área a isolar antes de iniciar a tarefa. Se optar por usar fitas de isolamento, estas não podem estar dobradas ou tortas. Deve ter cuidado ao colocar a fita, esta deve ficar direita e bem colada para que não se descole quando a porta ou janela se abrirem. As pontas da fita devem estar bem ajustadas aos cantos dos caixilhos. Se escolher a massa de silicone, esta deve ser colocada em todo o caixilho, depois cubra a massa de silicone com uma fita larga ou com papel de alumínio sem deixar rugas. Se puder deixe a porta ou a janela fechada por um período de um ou dois dias. Após isto, o silicone deverá estar duro e aí já o papel de alumínio e o excesso com ajuda de uma faca. Pode também usar calhas de borracha para evitar a entrada de ar por debaixo da porta. A calha a comprar deve ter uma largura e uma espessura adequada. Pode também se preferir, colocar no mesmo lugar uma fita de escova em nylon ou uma tira metálica com PVC. Os cortinados, especialmente os mais pesados, também conseguem proporcionar um bom isolamento térmico. Por outro lado os vidros duplos, podem ser uma boa forma de isolamento e são o método mais escolhido, mas são uma opção mais dispendiosa e a sua eficácia não é assim tão elevada. Os vidros duplos têm uma boa vantagem: não embaciam quando há o risco de condensação.

Paredes

Quanto maiores forem as janelas, maior será a probabilidade de perder calor por elas. Para isolar as janelas deve-se ter em atenção ás suas possibilidades e necessidades e o tipo de parede em questão.

- Paredes duplas: basta ter a caixa de ar entre as duas paredes para se adquirir um bom isolamento térmico. Se mesmo assim o quiser aperfeiçoar, deve fazê-lo na fase de construção da casa, podendo assim revestir uma das faces interiores da caixa de ar com esferovite.

- Paredes simples: há vários materiais destinados ao forro das paredes exteriores pelo lado de dentro. Um deles é o esferovite. No entanto este tipo de tarefa é complexa, pois temos de tirar e voltar a colocar o rodapé, os caixilhos das portas e janelas e as tomadas e interruptores eléctricos. Depois de colocar o material isolante, irá ter de estucar a parede de novo. desta forma, é aconselhável pedir a ajuda a um profissional. Se quiser um fazer um isolamento de uma forma mais simples pode forrar a parede com cortiça decorativa.

Como proceder ao isolamento térmico:

Se conseguir um bom isolamento térmico, o nível de fuga do calor doméstico é menor ajudando assim a proteger a canalização e reduzir os danos durante o Inverno. As divisões da sua casa podem ser isoladas de diferentes formas. A maioria das tarefas de isolamento feitas por um profissional. O custo ao pagar a um profissional irá ser compensado com a poupança de energia.

- Telhados e canalização

Como qualquer tarefa de bricolage, esta pode ser dividida em fases.Calcula-se que cerca de 25 % do calor é desperdiçado através do telhado. desta forma o telhado é um bom ponto de partida para iniciar um projecto de isolamento térmico. Deve ter em atenção que as canalizações existentes no telhado são as que correm mais risco de congelamento.

Canos

Em Portugal o clima é ameno e há poucas regiões onde é preciso isolar os canos. Se eventualmente viver numa dessas zonas em que o Inverno é muito rigoroso e com temperaturas muito baixas convém deste modo fazer um isolamento nos canos. Se tiver um contador de água fora de casa, para o isolar pode construir uma caixa de madeira com as dimensões do contador. Depois forre a caixa com lã de rocha ou de vidro de forma a duplicar o isolamento. Deve de igual forma fazer o isolamento térmico do espaço entre o contador e a parede. Este tipo de operação pode ser aplicado da mesma forma para as torneiras exteriores.

Os canos de água para não perderem calor devem ser também da mesma forma isolados. Se os canos forem de água quente a melhor forma de isolá-los é através de tubos de isolamento de espuma de borracha. Estes devem ser fechados com fita adesiva ou cola. Se isto não for possível utilize fita de espuma de plástico, fibra mineral ou fibra de vidro. As torneiras e as válvulas de segurança também podem ser protegidas, somente deixando livre o manipulo. As curvas e uniões devem ficar bem protegidas.

Nota: Ao usar lã de vidro, tome cuidado para que esta não entre em contacto com a pele. Para sua protecção use luvas. Quando terminar a tarefa deve lavar bem as mãos e os braços com água corrente.

A importância da segurança

Antes de qualquer tarefa deve adquirir roupa de protecção adequada. deve ter ao seu alcance:

• Fato-macaco e luvas para proteger do pó.

• Óculos e máscara de protecção facial.

• Um capacete de segurança, esta peça é fundamental quando se trabalha em espaços confinados.

Materiais de isolamento

Para eliminar a perda de calor pode aplicar um isolamento entre as vigas. A escolha do tipo de isolamento vai depender da sua escolha pessoal ou da facilidade de aplicação desta. Alguns tipos de isolamento são bastante simples e não são tão agressivos para a pele. Qualquer que for o tipo de isolamento térmico a usar, este deve ser colocado a uma profundidade de 200 mm. Para atingir esta profundidade nem sempre é fácil. De igual forma, se a área do telhado possuir pavimento, este pode restringir a profundidade do isolamento. Neste caso, o pavimento terá de ser levantado para aplicar o isolamento entre as vigas.

Isolamento de lã mineral

Este tipo de isolamento consiste em rolos de fibra de vidro, fibra mineral ou fibra de rochas, que são desenrolados entre as vigas. Estes rolos são compostos com várias larguras de forma a se adaptarem ao espaço entre as vigas. Um rolo normal mede aproximadamente 6-8 m de comprimento, porém existem tamanhos mais pequenos. Existem materiais que provocam irritação na pele. Devido a isso use sempre luvas quando aplicar o isolamento.

Isolamento granulado ou em pó

Este tipo de isolamento é vendido em sacos e é simplesmente deitado entre as vigas e nivelado com as suas superfícies superiores. Apesar de ser fácil de manejar e de espalhar, as variedades em pó, como a vermiculite, podem ser muito desagradáveis para se trabalhar. O material pode ter tendência a desaparecer se a área do telhado sofrer muitas correntes de ar.

Painéis isoladores

Os painéis isoladores são leves e fáceis de manusear, porém alguns como a lã mineral, provocam irritações de pele. A largura destes isoladores adapta-s com facilidade aos espaços entre as vigas. Para obter uma boa barreira de som, use isoladores de elevada densidade.

Compras essenciais

Para se ter um bom isolamento não é preciso gastar muito dinheiro. Os produtos mais eficazes não são assim tão dispendiosos e em pouco tempo estará a poupar. Todos os tanques no telhado para armazenar água devem ser protegidos contra o frio. Este processo de isolamento dos tanques, são na verdade nalgumas empresas de fornecimento de água exigido por lei. Para isolar este tanques existem materiais próprios almofadados. Do mesmo modo as canalizações dispostas no telhado devem ser isoladas com materiais adequados de forma a evitar qualquer congelamento.

Algumas sugestões práticas:

• Para os tanques de armazenamento de água que não tem isolamento deve reservar algum espaço por baixo de modo a que o calor que sobe possa evitar o seu congelamento.

• Deve fazer o isolamento térmico do alçapão de acesso ao telhado com isolamento de lã mineral, aplique depois um plástico. O plástico pode ser fixado com cola ou pregos.

Isolar paredes e pavimentos

As paredes são a parte mais importante da casa e devem por isso ser bem isoladas de modo a não perder o calor ou o fresco do interior da casa. O tipo de isolamento a aplicar irá depender muito da forma da construção da casa. Por exemplo se tiver paredes maciças há um método diferente do casos das paredes que são ocas. É muito importante que o chão também seja isolado pois 15 % do calor perde-se através dos pavimentos.

Perda de calor nas paredes

As paredes sofrem uma perda de calor com cerca de 35%. O melhor método para isolar as paredes que são ocas é contratar um profissional da área. Mesmo que gaste algum dinheiro é mais vantajoso e alongo prazo irá compensar o dinheiro gasto. No caso das paredes maciças pode injectar uma espuma própria, esferovite ou fibras minerais na cavidade através de orifícios feitos na parte exterior da parede. Este tipo de trabalho deve ser elaborado por um bom empreiteiro.

Como aplicar:

Isolar as paredes interiores de uma casa pode ser feito por qualquer um. Pode colocar placas térmicas de pladur em paredes secas e paredes exteriores. Outra forma de isolamento é adicionar uma moldura de madeira à parede e depois revesti-la com painéis, lã mineral e pladur. Para não correr o risco de condensação, agrafe um revestimento plástico ao material isolador. A desvantagem para as duas formas de isolamento é que irá perder alguma área de chão na divisão. Pode-se perder cerca de 50 mm se usar pladur térmico e mais ainda se se quiser criar uma parede divisória. Por outro lado, o conforto que proporciona e a poupança de custos, compensam os gastos e o trabalho. Se a parede de pladur for robusta, as placas podem ser facilmente fixas com cola. Deve aplicar sempre uma barreira anti-vapor.

Algumas sugestões práticas

• Os revestimentos de parede em tecido conseguem dar um bom isolamento. Os tapetes e os cortinados também conseguem manter o calor e reduzir o som.

• Para ter um ambiente mais silencioso apliques isolamento acústico nas paredes.

Pavimentos com problemas de excesso de ventilação

Se pretender fazer um isolamento em soalhos grandes cavidades por baixo, irá sem dúvida ser trabalhoso.O melhor é não o fazer. Pode no entanto substituir o soalho velho por um novo. O método de isolamento é o semelhante à aplicação de isolamento de telhado. deve encontrar encontrar uma forma de apoiar o material isolador entre as vigas. Para fixar o isolamento use uma rede de nylon agrafada aos lados das vigas. Estique bem a rede antes de a pregar às vigas para que o isolamento não descaia deixando entrar ar frio. Algumas ripas de madeira entre as vigas seguram o isolamento em painéis. Se tiver um soalho com correntes de ar o melhor é colocar um bom forro sob o tapete e encher as fendas entre as tábuas com massa especial.Um método mais fácil de resolver problemas de soalhos com correntes de ar é pôr um bom forro sob o tapete e também encher quaisquer fendas entre as tábuas com massa. As fendas mais largas devem ser revestidas com tiras de madeira feitas à medida. Depois de coladas, deve-se passar uma plaina pelas tiras para ficar ao mesmo nível do soalho. Para os pavimentos de betão sem qualquer revestimento o isolamento é feito cobrindo a área com painéis de poliestireno, revestidos por uma placa de politeno. Depois aplica-se por cima deste, um soalho flutuante de aglomerado de madeira com uniões de macho e fêmea. Deve deixar um espaço de 9 mm entre o aglomerado de madeira e a parede para permitir a expansão. Convém colocar um novo rodapé. A caixa de ar sob o soalho flutuante ajudará a manter a área quente. A aplicação de um chão por cima de outro irá muito provavelmente criar algumas alterações, pois o novo pavimento ficará mais alto. Neste caso, as portas terão de ser retiradas e aplainadas. As arquitraves à volta das portas também terão de ser adaptadas.

Sugestões práticas

• Para expandir calor por toda a divisão coloque uma prateleira cerca de 150 mm por cima de um radiador.

• Pode usar papier-mâché, uma mistura feita de pedaços de jornal e de uma solução espessa de cola de papel de parede, para reparar pequenos orifícios nos soalhos. Acrescente tinta de madeira que combinando com a cor do soalho e depois passe uma lixa.

• Se o soalho estiver em muito más condições, cubra a área com painéis de cartão de fibra prensada ou contraplacado de madeira.

Fendas a fechar

As correntes de ar não passam somente à volta das portas, mas também através destas. Isto é é muito simples de resolver. Pode optar por comprar coberturas de buraco de fechadura. Estas são baratas. Pode também aplicar uma tampa do tipo escova ou de borracha fixa no interior de uma caixa de correio que esteja inserida num portão ou numa porta. Estas tampas impedem que qualquer coisa, além do correio, entre através desta.

Portas e janelas

As portas e janelas são as principais fontes de correntes de ar existentes na casas. Felizmente existem muitas soluções para resolver este problema. As janelas são responsáveis por cerca de 10 % da perda de calor. Umas das solução colocar vidros duplos, no entanto mas esta é a solução mais dispendiosa e pode-se demorar cerca de 20 anos a recuperar o investimento em termos de poupança de energia. Deste modo as fitas de calafetagem são um método pouco dispendioso de tapar fendas à volta das janelas e portas. Estas fitas são auto-adesivas e de fácil aplicação. Se optar por fitas de espuma, estas pode não resolver completamente o problema. Não escolha as fitas mais mais baratas, pois normalmente estas ficam comprimidas e não desempenham a sua função adequadamente. Compre produtos que tenham garantia entre dois e cinco anos. Estes serão de fácil remoção e substituição se desejar melhorar o sistema de calafetagem. As juntas auto-adesivas de borracha, normalmente com perfis em “E” ou “P”, são mais caras, mas são melhores em termos de eficácia e de duração. As janelas de caixilho são mais fáceis de calafetar do que as de guilhotina. A forma mais eficaz de impedir as correntes de ar de entrar pelas partes laterais das janelas de guilhotina é fixar uma fita com escova de nylon. O topo e o fundo não necessitam de tratamento especial, uma vez que neste caso não se pode usar nenhum dos produtos recomendados para janelas de caixilho. As massas de enchimento de silicone são boas para encher espaços grandes ou irregulares à volta das janelas e portas. Existem diversas cores: branco, castanho e castanho-claro. Use uma pistola de calafetagem para as aplicar mais facilmente, embora também haja produtos que não necessitam de pistola. Para aplicar a massa de enchimento de silicone, limpe a massa.

Como manter o equilíbrio

As principais áreas a isolar são as janelas, portas, chaminés e alçapões de acesso ao telhado. Os rodapés e os espaços entre as tábuas do soalho não devem ser esquecidos. No entanto, deve-se ter um certo equilíbrios, pois de isolar todos os cantos da casa sem deixar entrar o ar pode correr o risco de haver condensação. Deve então deste modo é calafetar todos os locais da casa por onde entra o frio, deixando alguma ventilação sob a forma de grelhas, respiradouros de tijolo e ventoinhas de extracção.

Como isolar portas e janelas

Por muito pequenas que sejam as fendas na construção de uma casa, estas podem se tornar bastante desconfortáveis. Calcula-se que cerca de 15 % da perda de calor é devido a um mau isolamento ou à falta deste. Para remediar a situação pode instalar materiais isoladores, estes são fáceis de aplicar e são pouco dispendiosos. Um isolamento eficaz impede o calor de sair e torna a casa mais quente eliminando as correntes de ar.


Fonte: http://www.facavocemesmo.net/isolamento-termico/

Resíduo de tratamento de água é útil para recompor calçadas






11-Ago-2011

Pesquisa da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP mostra que o lodo produzido em Estação de Tratamento de Água (ETA) pode ser usado na confecção de concreto para recomposição de calçadas. O concreto pronto tem a propriedade de encapsular resíduos metálicos perigosos presentes no lodo, evitando que causem riscos à saúde. O reaproveitamento também evita que o lodo seja lançado na natureza, contaminando o ambiente.

Corpo de prova de concreto com teor de lodo em torno de 10% na mistura

Os experimentos utilizaram o lodo produzido pela ETA de Mirassol, no interior de São Paulo. “Este resíduo normalmente não é reaproveitado, sendo simplesmente descartado em corpos hídricos, podendo atingir áreas de mananciais e comprometer o abastecimento de água”, conta o professor Valdir Schalch, da EESC, que coordenou a pesquisa.

Na ETA foi utilizado o Cloreto de Polialumínio Composto (PAC), um produto químico que é aplicado para induzir a formação do lodo por meio de coagulação. O resíduo foi levado para o Laboratório de Saneamento da EESC, onde passou por ensaios de lixiviação e solubilização. Em seguida, no Laboratório de Construção Civil da Escola, aconteceram os ensaios de utilização do lodo na produção de concreto.

Os pesquisadores elaboraram três traços de concreto, cada um com diferentes proporções de lodo, cimento, areia e brita. “Os melhores resultados surgiram com teores de lodo em torno de 10% na mistura”, destaca Schalch. “A espessura para que o concreto possa ser aproveitado em calçadas é de aproximadamente 5 centímetros”.

Viabilidade

O lodo da ETA de Mirassol foi classificado como resíduo “Classe II A”. Apesar de não ser perigoso e nem inerte, ele contém teores elevados de cádmio, chumbo e manganês, metais que podem trazer riscos à saúde humana. “Quando o concreto é utilizado na calçada, esses metais ficam encapsulados, e o risco de contaminação se torna bastante reduzido”, ressalta o professor da EESC.

Lodo em estado bruto recolhido na Estação de Tratamento de Água (ETA)

De acordo com Schalch, o uso do lodo para confecção de blocos usados na construção de casas e edifícios não é recomendado, pois não existem normatizações reguladoras específicas, o que levou a sua utilização em calçamentos. “O concreto apresentou resultados satisfatórios para ser utilizado em recomposição de calçadas”, acrescenta.

O reaproveitamento do lodo diminui os custos da destinação final do resíduo. “A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto 7.404/2010, no que diz respeito aos resíduos de serviços públicos de saneamento básico, estabelece que eles não devem ser lançados em corpos hídricos, como rios e lagos”, afirma o professor. “Por isso, a reutilização para produção de concreto é uma alternativa ambientalmente adequada”.

A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado do engenheiro Alvaro José Calheiros da Costa, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC da USP. O estudo teve orientação do professor Valdir Schalch, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC.

Imagens: cedidas pelo pesquisador
Mais informações:
Contato: Prof. Valdir Schalch
Tel.: (16) 3373-9543 e 3373-9571
E-mail: vschalch@sc.usp.br
Por Júlio Bernardes da Agência USP de Notícias

Fonte: http://www.saocarlos.usp.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6538&Itemid=171

SISTEMA DE REÚSO DE ÁGUA

No projeto de reúso de água o sistema é percorrido em seu tratamento através da ação da gravidade para que o efluente vença todas as etapas do sistema e finalmente se acumule como água de reúso em uma célula exclusiva da cisterna da própria edificação. Um sistema de recalque específico (sem acrescentar mais custos aos condomínios) encarrega-se de transportar a água de reúso para o reservatório superior exclusivo para esse fim, para uma reserva com um ganho de altura manométrica que possibilitará o uso da água em uma rede proprietária atendendo a pontos de consumo ditos não potáveis na edificação.

Em resumo, o principal objetivo a se atingir é o consumo racional da água de modo que se tenha uma economia significativa nos custos de manutenção do condomínio que será formado para o desfrute do empreendimento pelos seus futuros proprietários e a preservação dos recursos hídricos cada vez mais escassos.

Ainda no momento da concepção do empreendimento, seja ele comercial ou residencial a primeira providência é garantir o volume necessário de matéria prima (efluente) para a produção da água de reúso. Ocorre que o esgoto primário, assim como a gordura, não devem se misturar com as águas cinza (efluentes com sabão). Essa condição é fundamental para o processo. E essa providência será tomada no momento da concepção do projeto de infra-estrutura (instalações prediais), do empreendimento.

Sendo assim, afirmamos que os principais contribuintes do nosso sistema são: Box (chuveiros), lavatórios, tanques e máquinas de lavar roupas. São os efluentes destes elementos hidrosanitários a nossa matéria-prima. Reunir através de subcoletores estes efluentes é a primeira condição para realizarmos o reúso de águas cinza.

Posteriormente este efluente deve ser encaminhado e reservado em uma caixa específica com a função de acumulá-lo e desinfectá-lo. É ainda nesta caixa de acumulação que se inicia o tratamento químico de todo o processo. Ela também garante a altura manométrica necessária para que o sistema seja totalmente percorrido pelo efluente somente com a ação da gravidade e assim garantido a inexistência de equipamentos eletromecânicos.

A partir da caixa de acumulação e desinfecção o efluente é encaminhado aos FILTROS VERTICAIS DE REÚSO.

Os FILTROS VERTICAIS DE REÚSO têm a finalidade de substituir o sistema convencional de floculação dos sólidos em suspensão, que é eletro-mecânico (agitadores/floculadores, com uso de energia elétrica e maquinário), por um sistema limpo e inovador que funciona pela ação da gravidade. Os diversos materiais utilizados como meio filtrante promovem a floculação dos particulados levando-os à sua decantação. Periodicamente os filtros são limpos através de drenos (expurgo).

Os FILTROS VERTICAIS além de não usarem energia elétrica nem materiais caros, filtros esses que são a nossa patente, não necessitam de retro lavagem, pois utilizam polímeros no seu processo e o material filtrante não comata (quando os resíduos não deixam o líquido passar), nem sofrem desgastes comuns como nos outros filtros que já conhecemos.

Neste processo dos FILTROS VERTICAIS DE REUSO a maior parte dos sólidos em suspensão é eliminada por drenagem e/ou expurgo (dentro das normas que regem a matéria, tanto nacional quanto internacional).

O custo operacional dos filtros verticais é pequeno, irrelevante se comparado a outros custos com despesas diversas, não requerendo pessoal em tempo integral para a sua operação e também não necessita de material de reposição;

“Uma grande virtude inerente aos filtros verticais que compõem o sistema de reúso é sua propriedade de se adequar à edificação sem agredir a plástica do seu conjunto arquitetônico.”

Ao fim deste processo o que obtemos é água de reúso. No entanto, enquanto não dispomos de legislação específica para a disciplina e como essa água pode apresentar ainda certa turbidez, se faz necessário a aplicação dos FILTROS HORIZONTAIS LENTOS.

OS FILTROS HORIZONTAIS LENTOS


A principal função dos FILTROS HORIZONTAIS LENTOS é promover o polimento à água de reúso e garantir aspectos e padrões inerentes à água potável. Estes filtros são constituídos por caixas e chicanas por onde a água de reúso percorre seu trajeto lentamente. Estas caixas são preenchidas por cascalhos, areias em diversas granulometrias, seixos rolados e carvão antracito. Nesta etapa são retidas as impurezas que por ventura não foram totalmente sedimentadas no processo de floculação e decantação nos FILTROS VERTICAIS. A partir daqui a água de reúso já se encontra completamente clarificada. Porém, é preciso garantir a completa eliminação de todos e quaisquer microorganismos presentes na água através da cloração e da lâmpada de ultravioleta.

Após a filtragem pelos FILTROS HORIZONTAIS LENTOS, a água é tratada dentro de um reservatório com produtos químicos afins, principalmente “cloro de origem orgânica” (produto que não forma subprodutos cancerígenos), que garantirá a desinfecção e conservação, deixando a água segura para sua armazenagem e seu reuso nos pontos de consumo.

A partir daí a água de reúso já pronta é encaminhada ainda por gravidade para o reservatório inferior, cisterna de reúso, e posteriormente é bombeada para reservatórios elevados e destes ela se utiliza de redes proprietárias para chegar aos pontos de consumo. Pontos estes presentes nos apartamentos, ou seja, nos vasos sanitários, e pontos devidamente identificados nas áreas comuns do empreendimento onde possam ser utilizadas as águas de caráter não potável.

De toda água disponível no planeta, apenas 3% dela é doce. Com uma quantidade tão pequena de água disponível, é impossível falar de tratamento de água sem tocar na questão ambiental e em iniciativas ecológicas como o processo de reciclagem da água adotado pela SRA como um fator preponderante em iniciativas de conservação, preservação e uso racional da água. Mas, a reutilização da água não acontece apenas nas residências. Muitas empresas estão coincientes do seu papel para usar com sabedoria um bem tão precioso. De maneira geral todos ganham com a prática do reúso de água nas residências ou nas indústrias.

Veja o vídeo sobre a reportagem completa realizada e apresentada por Cidades e Soluções da GloboNews.

O vídeo trata da reutilização das águas cinzas, assim como, da utilização de coletores solares, hidrômetros individualizados, ampliação das áreas verdes e os cuidados com a iluminação e ventilação naturais dos ambientes, reduzindo as contas dos apartamentos de um conjunto habitacional para famílias retiradas de áreas de risco, em Cubatão (SP).


Fonte: SRA Engenharia e Cidades e Soluções-Globo News




Descarte e reciclagem

Veja onde descartar objetos obsoletos, como celulares e lâmpadas

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ROSANA FARIA DE FREITAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

De um ano para o outro, o seu computador fica obsoleto. O celular passa de item cobiçado a peça pré-histórica em questão de meses. Imagine se esses produtos, e mais baterias de carro, exames de raio-X e lâmpadas fluorescentes fossem dispensados como entulho comum.

Veja o especial Dia Mundial do Meio Ambiente
Veja imagens de depósito de pneus


Marlene Bergamo/Folhapress
Depósito da Utep em Guarulhos (Grande SP), onde pneus são triturados e reciclados
Depósito da Utep em Guarulhos (Grande SP), onde pneus são triturados e reciclados

As baterias de carro contêm chumbo, que gera problemas ao sistema nervoso, enfraquece os ossos, causa anemia. Essas substâncias tóxicas podem se instalar em seu corpo de forma simples: uma vez despejadas no solo, têm suas matérias-primas decompostas, são ingeridas por vermes e minhocas e, em contato com o lençol freático, entram na cadeia alimentar por meio das plantas. Como você é o último componente desse ciclo, consome as substâncias absorvidas ao longo do processo.

As lâmpadas fluorescentes contêm vidro e metal, e são compostas por fósforo e mercúrio. O fósforo favorece o surgimento de câncer e provoca lesões nos rins e no fígado; o mercúrio, se inalado, pode causar dor de cabeça, febre, fraqueza muscular. A esses "poluidores" se unem outros, como computador e pneu, todos com componentes tóxicos na composição.

O Brasil é o país que mais descarta computadores pessoais per capita --0,5 kg por habitante--, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Na China é de 0,2 kg por pessoa.

O número dessas máquinas vendidas no país sobe 15% a 20% ao ano: em 2010, atingiu 13,3 milhões, de acordo com a consultoria IT Data.

No mundo todo, são geradas 40 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos anualmente, sendo que apenas 10% passam por reciclagem de forma apropriada.

O trabalho de desmontagem e o reaproveitamento é pouco conhecido por aqui, segundo o Cedir (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da USP).

REAPROVEITAMENTO

Para entender a importância de dar destino certo ao velho aparelho de TV ou ao computador, é preciso se dar conta de que quase 50% dos eletroeletrônicos é composto de plástico e ferro, insumos largamente aproveitáveis. O chumbo volta à ativa como matéria-prima. O vidro das telas gera cerâmica vitrificada, empregada em pisos.

Grande parte do asfalto vem dos pneus que são dispensados adequadamente. Embora a valorização energética --em caldeiras de indústrias, por exemplo-- seja o principal destino, boa parte deles é utilizada para fazer asfalto ecológico, piso de quadras poliesportivas e artefatos de borracha, como tapetes e sapatos.

Segundo a Reciclanip, entidade responsável pela coleta de pneus e ligada à Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), em 2010 o Brasil reciclou mais de 300 mil toneladas de pneus, equivalente a quase 62 milhões de unidades de carros.

ONDE DESCARTAR

Jogar o lixo no lugar certo ajuda a sustentabilidade do planeta porque significa economia e aproveitamento de matéria-prima. Por isso, alguns países fazem recomendações oficiais para o descarte correto do produto.

No Brasil, uma iniciativa desse tipo seria de grande valia, porque só em São Paulo o volume mensal de compra de óleo é de mais de 20 milhões de litros, segundo pesquisa da Nielsen. Aqui, algumas empresas e hospitais fazem a coleta daquilo que já não serve mais para você.


Editoria de Arte/Folhapress


Fonte: Folha.com

Entulho da Construção Civil e Pneus Velhos

Atualmente agrava-se a disposição de resíduos, como o entulho da construção civil e demolição e os pneus velhos, inservíveis. Exemplificando a expressiva quantidade de resíduos gerados em grandes cidades, em São Paulo são dispostas cerca de 16 mil t de entulho por dia. Há estimativas de que são fabricados mais de 30 milhões de pneus por ano no Brasil e que muitas dezenas de milhões de pneus velhos encontram-se abandonados. Esses resíduos podem assorear os rios e são locais para a procriação de insetos e vetores de doenças. A disposição desses resíduos em aterros é legal, porém deve-se levar em conta que esses materiais são nobres e consumiram energia para serem produzidos. Desperdiçá-los em aterros, ocupando lugar e concorrendo com o lixo, não é uma solução social e economicamente sustentável.

O exemplo que se apresenta a seguir é uma utilização sustentável desses resíduos, aproveitando as melhores qualidades desses materiais, colaborando para a pavimentação de vias, que representam uma melhoria na vida das pessoas, organizando o uso do solo, tirando o pó das ruas e permitindo a trafegabilidade mesmo em dias de chuva. Além disso, retira o lixo das ruas e córregos, podendo gerar novos negócios e empregos.

O exemplo é a obra de pavimentação das vias internas do campus paulistano da USP na zona Leste, na cidade de São Paulo. Todo o sistema viário foi pavimentado com o que agora se chama "pavimento ecológico", produzido com camadas de agregado reciclado de entulho de obra e revestido com asfalto-borracha.

Materiais
Em 2002, duas importantes resoluções do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) estabelecem uma nova era para a reciclagem de resíduos no País: a de no 258 determina que as empresas que produzem ou importam pneumáticos sejam responsáveis pela disposição dos pneus velhos; e a de no 307 determina diretrizes para uma efetiva redução dos impactos ambientais provocados pelos resíduos de construção civil, sendo que a reciclagem é uma das alternativas apresentadas.

Reciclado do entulho
De maneira simplificada, a reciclagem dos resíduos de construção depende, em geral, de uma seleção prévia dos materiais ditos indesejáveis (como plásticos, madeira ou gesso, por exemplo), seguida de um processo de redução de tamanho (britagem), feita em instalação apropriada para essa finalidade, contando com uma etapa de peneiramento para a obtenção de materiais com determinados tamanhos. O produto desse processo é o agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil, que vem sendo empregado, entre outras formas, em pavimentação (figura 1).

A ABNT publicou uma norma nacional em 2004, denominada NBR 15115 - Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil - Execução de Camadas de Pavimentação - Procedimentos. Essa especificação traz algumas exigências quanto ao material e quanto ao seu uso, sendo que algumas delas estão listadas na tabela 1.

Como pode ser verificado, o ensaio de Índice de Suporte Califórnia é o parâmetro exigido quanto à resistência do material.

Embora não conste na NBR 15115, o módulo de resiliência também é considerado um parâmetro importante na caracterização do agregado reciclado, uma vez que esse valor está relacionado com o desempenho do material em campo. Os resultados que vêm sendo obtidos são similares aos de brita graduada simples, material granular convencionalmente usado em pavimentação no Brasil.

O custo dos agregados reciclados é inferior aos granulares tradicionais como a brita graduada simples e a bica corrida, com 30% a 50% de redução dependendo das distâncias de transporte para a obra.

Asfalto-borracha
Esse ligante é produzido em empresas especializadas que adquirem a borracha de pneus já moída e incorporam-na no asfalto. De maneira simplificada, o uso de asfalto-borracha na usinagem de concretos asfálticos resulta em camadas de revestimento com maior resistência ao trincamento e às deformações permanentes (afundamentos).

Isso porque a mistura asfáltica adquire um pouco da capacidade elástica da borracha, passa a ser capaz de se deformar mais durante a passagem de veículos pesados e a voltar à mesma forma de antes, com menor risco de deformações indesejáveis. Com isso, a vida útil dos pavimentos é maior. Além disso, o negro-de-fumo, substância presente na borracha, protege o asfalto contra o desgaste químico, decorrente de sua exposição a raios infravermelho e ultravioleta, muito intensa em um país tropical como o Brasil. Esse desgaste envelhece precocemente o asfalto.

O asfalto-borracha é um pouco mais caro que o asfalto convencional, mas sua durabilidade também é maior.

Projeto
O projeto de dimensionamento foi feito pelo método clássico do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) para pavimentos flexíveis e toda a estrutura foi analisada quanto às deformações e tensões por análise computacional. Dada a presença de solo muito mole como subleito, a estrutura previu uma camada de regularização e reforço do subleito de solo importado laterítico, com CBR de no mínimo 12%, duas camadas de agregado reciclado de entulho, com 15 cm de espessura cada uma e um revestimento asfáltico do tipo concreto asfáltico usinado a quente com asfalto-borracha.

Para os cálculos, pode-se igualar os agregados reciclados como se fossem uma base de brita graduada simples. Utilizou-se para o asfalto-borracha as mesmas características de projeto que um concreto asfáltico comum, mas conta-se que sua durabilidade seja pelo menos 50% maior que o concreto asfáltico comum, pelos ensaios de laboratório realizados.

Execução
Recebimento de agregados reciclados

Com relação ao recebimento de materiais, é importante verificar se os agregados reciclados atendem ao especificado pela NBR 15115 ou pelo projeto de pavimentação. Fatores mais importantes: porcentagem de materiais indesejáveis, porcentagem de material fino, dimensão característica máxima dos grãos e Índice de Suporte Califórnia. Antes da aplicação do agregado reciclado, devem ser feitos ensaios para determinar a granulometria, a forma, a umidade ótima e o Índice de Suporte Califórnia. Os ensaios devem ser realizados de forma sistemática na obra, principalmente com o recebimento de lotes visualmente distintos.

Distribuição e compactação de agregados reciclados

As camadas de agregado reciclado possuem de 10 a 20 cm de espessura acabada (após compactação), e essa dimensão depende do dimensionamento estrutural. A distribuição do agregado reciclado pode ser feita com motoniveladora, em espessura uniforme, sem produzir segregação. Para a compactação, recomenda-se que sejam utilizados rolos compactadores do tipo pé-de-carneiro vibratório ou liso vibratório (figura 2).

Recomenda-se que seja empregada a energia modificada para a compactação. Pesquisas indicam que o aumento da energia de compactação implica melhora significativa no comportamento dos agregados reciclados. Além disso, deve ser empregada uma alta energia de compactação para que as quebras dos agregados ocorram durante o processo construtivo e não ao longo da vida útil do pavimento.

Devido à quebra de agregados, pode ser que seja requerida a molhagem complementar para continuar a compactação. É importante verificar se após a compactação o agregado reciclado continua atendendo as especificações de projeto, ou ainda, se após a compactação ele passa a atender.

Imprimação da base e revestimento asfáltico

Antes de receber o revestimento, sobre a camada de base deve ser executada uma imprimação impermeabilizante com asfalto diluído CM-30.

Após cura da imprimação, a mistura asfáltica, produzida em usina de mistura asfáltica a quente, é trazida para a obra em caminhões basculantes. A mistura asfáltica é inserida em equipamento denominado pavimentadora (figura 3) que distribui em espessura controlada e pré-vibra a mistura. A temperatura deve ser controlada e a compactação deve ser iniciada de imediato com rolos de pneus e posteriormente com rolos lisos para dar o acabamento.

Controle da qualidade
Controle tecnológico de execução

Além do controle de recebimento de materiais, que se fundamenta nas propriedades físicas e mecânicas dos agregados reciclados, é importante garantir a qualidade do pavimento executado. O controle tecnológico de execução tem como finalidade verificar se as condições de compactação determinadas e especificadas em laboratório foram atendidas no campo. Deve ser exigida a densificação máxima do material, para prevenir deformação permanente ao longo da vida útil do pavimento (afundamentos em trilhas de rodas), além de determinações de umidade, granulometria etc. O controle do revestimento asfáltico é principalmente referente à extração de corpos-de-prova para estudo da granulometria, teor de asfalto usado e grau de compactação. Todas as espessuras foram controladas.

Na obra da USP Leste, para um controle de várias propriedades de modo a entender melhor esse material, foram realizados ensaios de medida de deformabilidade. Os ensaios podem ser realizados sobre as camadas compactadas utilizando viga Benkelman (figura 5) e FWD (Falling Weight Deflectometer) (figura 6).

Conclusão
Com esses ensaios de deformabilidade no campo, chegou-se à conclusão de que os agregados reciclados de entulho mostram-se muito similares à brita graduada simples. Aconselha-se utilizar os agregados reciclados em camadas de reforço do subleito ou como sub-base. Como camada de base, por uma questão de cautela, aconselha-se somente para vias de tráfego muito leve e leve.

A camada de revestimento de asfalto-borracha mostrou um comportamento muito flexível, o que auxiliará no desempenho do pavimento, sem surgimento de trincas precocemente ou buracos. Passados quase três anos do início da obra do primeiro trecho, o pavimento apresenta-se em excelente condição. Espera-se que a durabilidade do pavimento, até que este passe por restaurações específicas e limitadas, seja de no mínimo dez anos de vida útil.

As obras de mais de 2 km de extensão do sistema viário da USP Leste mostraram que é possível fazer uso de materiais reciclados em pavimentos, com bons resultados e durabilidade, beneficiando ainda o meio ambiente.

Liedi Bariani Bernucci, professora titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Fabiana da Conceição Leite, mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Rosângela dos Santos Motta, doutoranda em Engenharia de Transportes - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Leia Mais


  • NBR 15115: Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Execução de camadas de pavimentação - Procedimentos. ABNT. Rio de Janeiro, 2004.

  • Comportamento mecânico de agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil em camadas de base e sub-base de pavimentos. F. C. Leite. Dissertação (Mestrado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007.

  • Estudo laboratorial de agregado reciclado de resíduo sólido da construção civil para aplicação em pavimentação de baixo volume de tráfego. R. S. Motta. Dissertação (Mestrado). Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2005.

    Fonte: Revista Téchne

    Detetive molecular Técnica brasileira identifica adulterações em documentos e dinheiro falso

    Marcos Pivetta Edição Impressa 177 - Novembro 2010
    Revista FAPESP



    Espectrômetro de massas analisa nota: simples e rápido

    Nos últimos seis meses, o perito criminal Adriano Otavio Maldaner, chefe do laboratório de química forense da Polícia Federal em Brasília, se lembra de ter recorrido pelo menos uma dezena de vezes a uma sofisticada técnica de espectrometria de massas criada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para tirar dúvidas cruciais sobre a autenticidade do conteúdo de manuscritos redigidos com tinta esferográfica que faziam parte de processos judiciais. Nesse tipo de situação, os dizeres de uma carteira de trabalho ou de um testamento podem ser questionados se houver provas científicas de que a escrita sofreu alguma forma de adulteração. Anos depois de um documento original ter sido produzido, uma mão desonesta pode ter espichado um número três até que ganhasse os contornos de um oito ou acrescido algumas linhas que mudam o seu sentido. As falsificações grosseiras são fáceis de ser desmascaradas, mas as falcatruas de profissionais são um desafio até para os olhos mais treinados dos peritos. Nos casos mais complexos, Maldaner lançou mão então da Easi-MS (Easy Ambient Sonic-Spray Ionization Mass Spectrometry), técnica que, sem destruir a amostra em análise, pode, por exemplo, revelar quase instantaneamente se mais de um tipo de caneta foi usado na redação de um documento e se todos os escritos datam da mesma época ou há partes adicionadas posteriormente. “Já houve casos em que fiz um laudo, baseado em dados obtidos com o emprego da técnica, e o juiz me chamou para explicar como funcionava a espectrometria de massas”, conta Maldaner.

    Com a Easi, desenvolvida em 2006 pelo professor Marcos N. Eberlin, fundador e coordenador do Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas do Instituto de Química da Unicamp, é possível enxergar um padrão de envelhecimento da assinatura química deixada pela tinta de uma caneta. Com o passar do tempo, os corantes empregados nas esferográficas comerciais vão perdendo seus grupos metila (CH3) numa constância similar à de um relógio químico e, assim, revelam a data aproximada em que as linhas de um documento foram tracejadas. “Não dá para precisar exatamente a idade do traço, mas podemos fazer distinções seguras entre tintas jovens e velhas”, diz Eberlin, cujos trabalhos são financiados em grande parte por um projeto temático da FAPESP. Pode parecer pouco, mas um laudo científico capaz de atestar que a escrita de um documento é, por exemplo, da década de 1980, e não do ano 2000, torna-se uma peça determinante em disputas judiciais.

    A Easi fornece ainda outro tipo de dado sobre tintas de canetas. Cada marca de caneta comercial produz uma assinatura química ligeiramente diferente. O método flagra essas diferenças. “Com a Easi, conseguimos examinar camadas sobrepostas de tinta sem danificar o papel e dizer se elas vieram de canetas distintas”, afirma Priscilla Lalli, aluna de doutorado que participou do estudo. As análises com a técnica de espectrometria de massas foram feitas com documentos reais, de várias idades, fornecidos pela Polícia Federal, e também com papéis submetidos a processos que simulam o envelhecimento.

    Na essência, um espectrômetro de massas, cujos primórdios remontam a mais de século de pesquisas, pode ser comparado a uma balança capaz de pesar moléculas desde que elas estejam na forma de íons, de partículas carregadas eletricamente. Como os íons de duas moléculas de composições distintas nunca exibem o mesmo peso molecular, ou o mesmo perfil de isótopos, o método serve para diferenciá-las. A Easi faz parte de uma nova geração de técnicas que ampliaram o já enorme campo de ação da espectrometria de massas, hoje capaz de identificar e quantificar com eficiência cada tipo de molécula presente em gases, líquidos e sólidos e discriminar quais átomos formam essas moléculas e como eles estão arranjados.

    A singularidade da técnica de espectrometria de massas reside na forma como as partículas eletricamente carregadas são geradas a partir de moléculas neutras. Essa etapa, denominada ionização, é crucial. Afinal, na imensa maioria dos casos as moléculas dos compostos estudados estão com suas cargas neutralizadas. Para obter íons, as técnicas mais tradicionais aplicam campos elétricos, elevam a temperatura ou fazem incidir radiações, como um laser, sobre o material em questão. As partículas eletricamente carregadas se desprendem da amostra e são então capturadas pelo espectrômetro. “A Easi é muito mais simples e suave do que as técnicas convencionais e só usa ar sob alta pressão para obter íons”, compara Eberlin, que desde o ano passado é presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas (IMSS, na sigla em inglês). “Tudo de que precisamos para gerá-los é apenas um minicompressor.”

    Amostra do mundo real - Os pesquisadores da Unicamp garantem que a técnica brasileira apresenta ainda duas grandes vantagens: pode ser usada à pressão atmosférica (não necessita de vácuo) e em diferentes condições ambientais (dentro do laboratório ou in loco) e as amostras analisadas não precisam passar por nenhum tipo de tratamento ou preparação prévia. Basta pegar o material a ser examinado tal qual está no mundo real e colocá-lo ao alcance do aerossol ionizante do espectrômetro. “O melhor tratamento da amostra é não fazer nenhum tratamento”, diz Eberlin. Como se vê, o acrônimo Easi foi intencionalmente escolhido para denominar o método por soar como a palavra inglesa easy, “fácil”, dando assim a entender que o uso da técnica brasileira realmente oferece poucas dificuldades.


    Laboratorio thomson
    Marca criada com tinta invisível e detalhe de cédula falsa de real

    Os estudos científicos feitos com a Easi têm obtido grande reconhecimento no meio científico. Apenas neste ano a equipe de Eberlin escreveu 11 artigos sobre diferentes aplicações da técnica. Quatro desses trabalhos foram parar na capa de revistas científicas internacionais: dois na Analyst, da inglesa Royal Society of Chemistry; um na Analytical Chemistry, da American Chemical Society; e outro no Analytical and Bio­analytical Chemistry (um artigo de revisão na edição de setembro). A primeira capa na Analyst, de abril, foi jus­tamente sobre o estudo com tintas e adulterações em documentos. A segunda, em outubro, também tratou de fraudes, mais uma vez em parceria com o pessoal da Polícia Federal: a Easi foi eficaz em diferenciar notas falsas e verdadeiras de real, euro e dólar. No caso das cédulas forjadas, era possível até mesmo saber em que tipo de impressora, se a jato de tinta ou a laser, a fraude foi cometida. Para dificultar a ação dos criminosos, os cientistas sugerem colocar marcações, feitas com tinta invisível, perceptível apenas por espectrômetros de massas, nas notas originais.

    Embora os trabalhos na detecção de fraudes e ilegalidades despertem muito interesse (há ainda estudos sobre adulterações de remédios, alimentos e drogas ilícitas, como cocaína e ecstasy), os pesquisadores da Unicamp também têm mostrado que a técnica é igualmente útil para uma segunda finalidade: controlar a qualidade de produtos químicos. O uso do método para, por exemplo, analisar os constituintes de diferentes tipos de petróleo – assunto que, aliás, foi o tema da capa da Analytical Chemistry de 15 de maio – é um deles. “Podemos ainda monitorar a degradação dos óleos minerais e vegetais com a Easi”, afirma a química Rosana Alberici, pesquisadora do laboratório ThoMSon. Os cientistas acreditam que o emprego da Easi pode ser uma forma rápida e barata de estudar a composição de biodiesel obtido de diferentes fontes e também do etanol. Com esse intuito, parcerias com a Petrobras e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) foram estabelecidas.

    A técnica foi também testada para caracterizar quimicamente produtos da Amazônia. O estudo, ainda em fase inicial, agora está voltado para a caracterização do óleo obtido da castanha. “A ideia é ver como varia a composição do óleo feito com castanha oriunda de diferentes localidades da Amazônia Legal”, afirma a engenheira bioquímica Mariko Funasaki, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que iniciou neste ano um trabalho de coo­peração com os colegas da Unicamp. Evitar fraudes na comercialização do óleo – sempre há quem misture componentes menos nobres ao produto – é outro objetivo da parceria.

    O scotch que não é uísque - Além de fornecer dados para estudos e parcerias científicas, os espectrômetros de massas do laboratório ThoMSon prestam serviços a órgãos de controle e fiscalização. Algumas histórias são interessantes, às vezes até engraçadas. Em 2007, um colaborador do Inmetro no Rio de Janeiro estranhou as características de um suposto uísque escocês servido durante uma festa dada por ocasião dos Jogos Pan-Americanos e não teve dúvidas: arrumou uma garrafa do pretenso scotch e a mandou para Campinas. Era falso. “Muito uísque não passa de cachaça com caramelo”, diz Eberlin. Hoje, de tão desbotada, a própria cor do uísque de araque, guardado como um troféu numa estante do laboratório, denuncia a trambicagem. Mas há três anos era necessária uma análise mais complexa e demorada, com o espectrômetro de massas, para assegurar a fraude.

    Outro caso pitoresco fez os pesquisadores darem de novo uma de detetives moleculares seis meses atrás. A polícia civil de Americana, município paulista distante cerca de 40 quilômetros de Campinas, apareceu na Unicamp com amostras de perfumes de uma grande e conhecida empresa nacional. A desconfiança era de que se tratava de carga roubada. Um caminhão cheio com a mercadoria suspeita fora apreendido. Só que tudo parecia autêntico: a embalagem, o frasco e até o aroma do perfume. Com a Easi, os pesquisadores do laboratório confrontaram as assinaturas químicas do perfume confiscado com os constituintes da fragrância original. Veredicto: realmente tudo era autêntico – menos o essencial, o perfume em si.

    Quando os espectrômetros de massas se tornarem portáteis e custarem uns poucos milhares de reais, essa ferramenta analítica se tornará mais acessível. “Isso está prestes a ocorrer”, afirma Eberlin. “Quando esse dia chegar, técnicas simples e baratas como a Easi fornecerão resultados em tempo real de qualquer lugar e serão verdadeiras caça-fraudes.”

    > Artigos científicos

    1. Eberlin, L.S. et al. Instantaneous chemical profiles of banknotes by ambient mass spectrometry. Analyst. v. 135 (10), p. 2.533-39. out. 2010.
    2. Lalli, P.M. et al. Fingerprinting and aging of ink by easy ambient sonic-spray ionization mass spectrometry. Analyst. v. 135 (4), p. 745-50. abr. 2010.


    Microscópio para nanoanálise

    O Laboratório de Microscopia Eletrônica (LME) do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), iniciou em 15 de fevereiro a operação de um novo microscópio eletrônico de transmissão.

    O LME se caracteriza por ser um laboratório de microscopia com 12 anos de operação e pioneiro no país em uma estrutura de trabalho e pesquisa totalmente aberta e multiusuário. Os cinco microscópios disponíveis atualmente no laboratório foram adquiridos com financiamento da fundação, e vem desempenhando um papel extremamente importante na geração de conhecimento e formação de recursos humanos na área de microscopia eletrônica. Já foi responsável pelo atendimento a cerca de 1.500 usuários e realizou o treinamento de mais de 550 pesquisadores.

    O novo microscópio recém aberto a comunidade científica é um dos poucos equipamentos do gênero existentes no Brasil. Entre seus os principais diferenciais está o uso de canhão de elétrons com emissão por efeito de campo e um espectrômetro de perda de energia dos elétrons (filtro de energia).

    Este microscópio opera tanto em modo de transmissão – Transmission Electron Microscopy (TEM) –, como de transmissão com varredura – Scanning Transmission Electron Microscopy (STEM). Nestas técnicas o dispositivo emite um feixe de elétrons em direção a amostras de materiais com as quais sofre diversos processos de interação. A partir destas interações é possível a obtenção de propriedades morfológicas e estruturais, além da composição química e os estados de oxidação e hidridização de elementos que compõem determinados tipos de materiais em escala nanométrica (bilionésima parte do metro).

    “Com este microscópio teremos uma capacidade analítica muito maior do que nós tínhamos até hoje. Por meio dele será possível obter informações sobre a estrutura, composição e propriedades eletrônicas de materiais que antes não eram possíveis de serem analisadas”, disse Luciano Andrey Montoro, pesquisador do LME, à Agência FAPESP.

    Alguns dos estudos que estão sendo atualmente realizados no equipamento são relacionados a materiais semicondutores e nanopartículas de catalisadores (aceleradores de reação), que medem entre 5 a 10 nanômetros. No entanto, devido à alta resolução espacial deste equipamento ele pode possibilitar análises próximas à resolução atômica.

    Nos equipamentos até então disponíveis no LME era possível analisar facilmente a composição química dessas partículas de catalisadores. Agora, com o novo microscópio, será possível, por exemplo, a realização de um mapeamento desses materiais para verificar como os elementos químicos estão distribuídos ao longo das nanopartículas.

    “Muitas vezes, essas partículas não são formadas por uma liga homogênea. Elas podem apresentar segregação de materiais ou estruturas mais complexas como, por exemplo, um núcleo de rutênio e uma camada externa de platina. Por meio desse novo microscópio é possível obter imagens da localização espacial destes elementos no material, o que antes seria extremamente difícil ou impossível de se obter utilizando os outros equipamentos”, disse Montoro.

    Para utilizar o equipamento, adquirido com apoio da FAPESP por meio do projeto “Analytical Transmission Electron Microscope for spectroscopic Nanocharacterization of Materials”, os interessados deverão submeter suas propostas de pesquisa até 30 de outubro, por meio do Portal de Serviços do LNLS.

    Por se tratar de um equipamento de operação mais complexa do que outros existentes no LME, o uso do microscópio será aberto inicialmente a usuários com experiência comprovada em microscopia de transmissão ou que já tenham realizado treinamento no uso da técnica.

    Mais informações: res-temfeg@lnls.br.

    http://www.agencia.fapesp.br/materia/13461/microscopio-para-nanoanalise.htm